Terça com leitura: Como você está lidando com tudo isso?

Hoje trouxe um texto de um dos autores que eu mais gosto: Francesc Miralles.

Como você está lidando com tudo isso?

“Conselhos para reduzir a inquietude de estar confinado em casa por causa do coronavírus. É hora de tirar algo positivo desta pandemia.

Dosar o acesso às notícias. É bom se manter informado sobre a evolução da pandemia. Mas, se consultarmos as redes sociais de forma compulsiva, a cada poucos minutos, só conseguiremos alimentar a ansiedade. Entrar em sites confiáveis duas ou três vezes por dia é suficiente para saber o que está ocorrendo. Praticar a resiliência através da ação. Resiliência é a nossa capacidade de superar as adversidades. Assim, se fizermos algo útil em vez de traçarmos cenários catastrofistas em nossa mente, nos sentiremos muito melhor. Humanizar. O lado bom desta crise sem precedentes é que, ao nos sentirmos vulneráveis e com uma enorme quantidade de tempo, estamos desenvolvendo nosso sentido comunitário. As pessoas que moram sozinhas recebem telefonemas diários, e os amigos despreocupados agora entram em contato conosco para nos perguntar: “Como você está lidando com isso?” Como é um mal que afeta a todos, sentimos no ambiente mais empatia e disposição de ajudar. Valorizar o minimalismo. Um dos presentes do confinamento é descobrir que, na verdade, necessitamos de muito poucas coisas para viver. Podemos estar sem viagens, comilanças, festas, compromissos sociais e compras compulsivas, mas tivemos que chegar a essa situação para saber disso. Viver de forma mais austera e essencial é um aprendizado valioso para quando voltarmos à normalidade. Agradecer o que a vida tem de bom. Ao sermos privados de tudo aquilo que antes dávamos como certo —por exemplo, passear com amigos ou reunir com familiares ao redor de uma mesa –, somos conscientes das maravilhas cotidianas que antes não valorizávamos o suficiente. Anotar todas elas, como fez Philippe Delerm em The Small Pleasures of Life (Os pequenos prazeres da vida), é um treinamento para quando possamos sair desta.

Além de cuidar uns dos outros, talvez o mais útil que podemos fazer ao longo desta paralisação planetária é abrir os olhos e decidir como queremos viver quando o vendaval passar. Em seu livro As Coisas que Você Só Vê Quando Desacelera (Sextante), o monge coreano Haemin Sunim diz que há coisas que podem ser percebidas quando reduzimos o passo e acalmamos a mente. Pois bem, desaceleramos. Não por vontade própria, mas, já que nos encontramos nesta situação, vamos aproveitá-la e fazer da necessidade uma virtude, como os estoicos propunham. Essa pandemia que sairá nos livros de história fez com que muitas pessoas percebessem que, na verdade, tampouco gostavam da vida que levavam antes —ou que ela poderia ser muito melhor. Se, quando voltarmos à normalidade, pudermos aplicar ao nosso dia a dia o que estamos aprendendo, este enorme caos terá servido para alguma coisa.”

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