Terça com leitura: O que os outros pensam.

Hoje trouxe um texto do Conrado Muylaert, o texto é:

O que os outros pensam

Frequentemente, escutamos conselhos do tipo “você não deve se preocupar com o que os outros pensam”. Mas será que isso realmente é possível? Parece loucura, mas quando paramos para analisar, é possível perceber que a famosa “opinião alheia” parece mover o mundo. As redes sociais, por exemplo, são provas vivas do quanto muitas pessoas querem aparecer da melhor maneira para os demais. Com o melhor sorriso, a melhor roupa, o melhor lugar, tudo para conseguir a aceitação da opinião alheia. E cada dia mais essas plataformas deixaram de buscar uma real interação entre amigos e sim permitir ao usuário observar a vida alheia e expor a sua. Nada de mal, é divertido se tivermos um limite. O jeito de se vestir, de agir, as escolhas da vida, onde estudar, que profissão seguir, qual relação investir, enfim, decisões essenciais da vida acabam sofrendo interferência direta desse tal ser invisível. Precisamos agradar aos pais, aos amigos, até mesmo a desconhecidos. Percorrer a estrada conhecida é certeza de passar despercebido. Tentar algo fora da curva, por outro lado, é garantia de chuva de críticas. É aí que devemos ter uma força interna que proteja nossa personalidade diante de tantos parâmetros que nos impõem. Ao longo da vida, já me deparei com situações grotescas de amigos buscando não causar uma má impressão no temido pensamento dos outros. Quando mais novo, em plenas férias, um deles acordava às 7 da manhã todos os dias. E sofria muito com isso. Um dia perguntei o porque dele não dormir até meio dia. Ele respondeu, disciplinado, que dormir até tarde é sinal de malandragem. A conversa foi fluindo e descobri que sua mãe assim dizia, como a avó dizia o mesmo para ela. E ele se adaptou ao que elas pensavam. Mais recentemente, estava com um outro amigo num bar numa quinta feira a tarde tomando uma cerveja. Eu, de férias, e ele já tinha terminado seu trabalho. De uma hora para a outra, ele ficou todo nervoso, e pediu para nos mudarmos para uma mesa escondida no interior do bar. Perguntei o porque. “Acabou de passar um conhecido de carro. Acho que me viu. Fica mal beber a essa hora num dia de semana”. HÃ? Fica mal por que? em relação a quem? – pensei. Ah, sim, a opinião alheia. Acredito que até certo ponto, não faz mal querer ser aceito. Mas é bom tomar cuidado no quanto damos importância ao que os outros pensam em detrimento da nossa própria personalidade. Se essa necessidade de ser bem visto te faz agredir a seu próprio eu, ou te leva a viver de uma maneira que não te agrade, contra sua vontade, talvez você deva rever suas atitudes. A cada dia mais vemos exemplos de pessoas que optaram por viver do jeito que querem, seguindo um caminho individual, e encontraram a felicidade plena. Tem gente que dorme até tarde porque trabalha melhor à noite. E acharam empregos que permitem isso. Tem médico que pinta cabelo de azul e rosa e continua sendo um ótimo profissional. Tem padre que faz piada de tudo sem perder sua religiosidade. E ainda alegra muita gente. Sem falar no home office, que deve ser cada vez mais visto por aí, e que permitirá o trabalho em qualquer lugar que a pessoa deseje. Enfim, quando dizem que o caminho é mais divertido que a chegada, eu concordo plenamente. Mas, me parece que, para a experiencia ser completa, esse caminho tem que ser o seu. E só seu. E você? já parou para pensar no quanto importante é a opinião dos outros na sua vida?

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