3 músicas do indie nacional que realmente valem o play
- Amanda Büttenbender

- há 3 dias
- 3 min de leitura
Separei 3 sons pra você parar de ouvir a mesma coisa de sempre: Vinces, Vivaz e o Canário, e Dani Bessa;
Existe um cansaço silencioso em abrir os aplicativos de música e se deparar com uma sequência interminável de faixas idênticas, polidas até perderem qualquer vestígio de humanidade. Quando a produção vira linha de montagem ou sequência de referências de IA, a música deixa de arranhar, de incomodar ou de fazer dançar de verdade. Por sorte, o circuito independente segue como um refúgio de honestidade crua.
Sem papo pretensioso ou enrolação: são três sons bem diferentes entre si que entregam exatamente o que a gente procura quando quer ouvir algo com personalidade de verdade.
Depois me conta qual foi a sua predileta, tá? Põe no instagram e me marca: @vtcontar
⚡️Vamos lá curtir esses novos sons:
1) fantasmas - VINCES
Piracicaba costuma ser associada a outros ritmos, mas o som que Vinces produz no interior paulista tem a voltagem e o peso de uma noite em claro. Depois de pavimentar caminho com os EPs Festa e Turista no Prazer, o artista junta forças com a cantora Laura Zuccolo em "fantasmas", a faixa mais densa do seu repertório.

A música opera em uma frequência de pura tensão. Em vez de usar o hyperpop apenas como um verniz estético ou uma colagem de efeitos digitais, Vinces usa a urgência do eletrônico experimental travando um duelo com a sujeira do rock.
O resultado é um arranjo sufocado, denso e desconfortável no melhor sentido possível. A letra coloca dois fantasmas em um diálogo denso: de um lado, o luto e o fim inevitável de um relacionamento; do outro, o abismo do suicídio e o medo das várias mortes que a gente acumula ao longo da vida.
Não é um som fácil, mas a melodia pega pelo pescoço e a vibe soturna prende a atenção do primeiro ao último segundo.
2) Não Vai Mudar - VIVAZ E O CANÁRIO
Saindo da escuridão e indo direto para a vibração da periferia, o duo independente Vivaz e o Canário abre o EP Antes do Desastre com a faixa "Não Vai Mudar". E a música já avisa ao que veio logo nos primeiros momentos.
A faixa começa com uma introdução poética que serve como cartão de visitas, estabelecendo a postura autêntica do duo antes de soltar os instrumentos.
Quando o som engrena, a mistura entre indie rock e MPB ganha um balanço divertido e orgânico, daqueles que parecem ter saído direto de um ensaio de garagem sem filtros.
O contraste entre a palavra falada e a instrumentalização leve cria uma marca registrada instantânea. É o tipo de canção que não precisa de produção milionária para gritar personalidade; a força está na simplicidade dos arranjos e na verdade de quem está no microfone.
3) Monocromática - DANI BESSA

Para fechar a rodada, um rosto já conhecido da casa. Dani Bessa volta ao radar com "Monocromática", faixa que integra o seu segundo EP e reafirma porque ele é uma das mentes mais afiadas do indie pop nacional.
A faixa é uma aula de como construir um som nostálgico sem soar mofado. Bebendo na fonte do suingue elegante do Bandalos Chinos, nas guitarras ligeiramente tortas de Mac DeMarco e na energia expansiva do Wallows, Bessa entrega um som redondinho.
O baixo anda solto, a bateria dita um ritmo dançante e os sintetizadores criam uma atmosfera colorida que contrasta com o próprio título da canção.
É divertido, traz aquele frescor de música nova, mas carrega o peso de uma composição clássica de pop alternativo.
Um play certeiro que deixa qualquer playlist imediatamente melhor.




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