guitarras, flores e vibrações boas: três faixas feitas pra sentir por The Cocoons, Portão Azul e Tela Vazia
- Amanda Büttenbender

- 3 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
The Cocoons, Portão Azul e Tela Vazia mostram que música boa não precisa ser perfeita, só precisa ser viva.
Tem semana que tudo o que a gente precisa é de uma música que sacode o corpo, outra que abraça o peito e uma terceira que dá vontade de sair andando pela rua como se estivesse num filme francês alternativo. Sorte a nossa: The Cocoons, Portão Azul e Tela Vazia entregaram exatamente isso. Em estilos tão distintos que só provam o quanto a cena independente está mais viva e inventiva do que jamais pareceu nos algoritmos.
Bandas: Portão Azul, Tela Vazia e The Cocoons
Do indie dançante que flerta com os primórdios dos anos 2000, passando pelo frescor emocional de Floripa até o punk poético gravado em Montmartre, essas três faixas mostram que música boa não vem só do hype.
Vem de verdade, de trabalho artesanal e, principalmente, de identidade.
Depois me conta qual foi a sua predileta, tá? Põe no instagram e me marca: @vtcontar
⚡️Vamos lá curtir esses novos sons:
1) WASHED UP - The Cocoons
“Washed Up” é o tipo de música que faz você levantar a sobrancelha no primeiro riff e pensar “ok, tem coisa boa aqui”.
The Cocoons acerta num território delicioso do indie rock: guitarras cortantes, energia pulsante e um vocal que segura a melodia sem esforço.
O instrumental tem aquele quê de The Strokes. Não é imitação, é influência bem digerida. A banda coloca uma camada extra de brilho, personalidade e groove que deixa tudo mais fresco, mais próprio.
É o tipo de faixa que, se tocasse num episódio aleatório de Skins, ninguém reclamaria. Na verdade, todo mundo iria procurar no Shazam.
OUÇA JÁ:
2) FLOR - Portão Azul
Existem músicas que parecem abrir uma janela. “Flor”, do Portão Azul, é uma delas.
O novo single marca uma fase de transição da banda e talvez seja exatamente por isso que soe tão inteiro, tão bem-resolvido, tão bonito.
A mistura de indie-pop com banda de garagem, somado a um toque de leveza pop, cria uma atmosfera radiante. O instrumental é contagiante, a produção é impecável e a composição é uma daquelas que ficam na cabeça sem forçar.
A banda já tinha mostrado força no EP Delírios do Momento, mas aqui eles encontram um brilho diferente: mais adulto, mais melódico, mais consciente. “Flor” abre caminho para o EP de 2026 com a energia de quem sabe exatamente o que quer dizer, e ainda assim não perde o frescor de quem está descobrindo o mundo pela primeira vez.
Assista ao clipe:
3) VIBRA - Tela Vazia
Se “VIBRA” não te der vontade de sair andando por Paris como se tudo fosse um clipe, nada mais dará. O trio Tela Vazia entrega uma faixa punk com vocais femininos poderosos, letra afiada e energia suficiente pra iluminar a rua inteira.
O clipe, gravado em Montmartre durante a turnê europeia, é uma pequena obra de arte DIY: selfie, espontâneo, vibrante, cheio de gente entrando no quadro e transformando tudo em performance coletiva. É Amélie Poulain meets pós-punk meets Brasil.
Assista ao clipe:
Enquanto a letra fala sobre energias negativas e ilusões de poder, o vídeo faz exatamente o oposto: conecta, diverte, transforma o caos em união. Isis Sophia comanda a direção, captação e edição com pulso firme e poesia visual, enquanto Fábio Banks e Flávia Banks completam o trio com uma química que só banda-família consegue ter.
“VIBRA” é mais que uma música: é uma fenda aberta na rotina, um convite pra lembrar que o rock brasileiro ainda chacoalha, incomoda e, quando quer, emociona.
Fechando o play
The Cocoons te dá o gás, Portão Azul te dá o abraço e Tela Vazia te dá o soco, daqueles que acordam, não machucam. Três faixas diferentes, mas unidas por um mesmo fio: autenticidade.
São músicas feitas com intenção, com coragem e com uma sensibilidade que não tenta ser perfeita, só verdadeira. E às vezes é exatamente isso que a gente precisa: algo que soe vivo.
Entre guitarras, flores e vibrações boas, fica o convite: ouça as três.
Depois me conta qual ficou ecoando mais tempo na sua cabeça.











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